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terça-feira, 5 de julho de 2016

A importância de chocar sempre!


O documentário que me transformou para sempre chama-se Terráqueos um filme com uma belíssima trilha sonora, muita beleza e reflexão.

Ele foi o responsável por uma das decisões mais importantes da minha vida, que foi me tornar vegana.

Eu assisti este filme enquanto via pessoas com mais idade que eu – portanto mais responsabilidade, pensei – saindo da sala nos primeiros minutos, com ar de indignação, pena, covardia. Pois trata-se de algo que cada um de nós em algum momento fomentou, compactuou, pagou para que acontecesse.

Pois é, estas pessoas, quase todos nós, passam a vida inteira se alimentando de cadáveres, usando-os como objetos de decoração, sugando seus recursos como se fossem de propriedade humana, bancando sua exploração nos mais diversos níveis, mas na hora de algo que apenas mostra a realidade, o sujeito que até então se considerava adulto e até dono de si, não consegue suportar?

Para muitos, não incomoda nada a violência, a sexualidade e mesmo a pornografia na TV ou ali na rua mesmo.
Mas porque será que a imagem do que você faz com os animais (sim você faz) é tão tocante assim?

Os animais vêem suportando dia após dia a tirania humana sobre eles. Esses documentários são apenas um espelho, de si mesmo, do que fazemos com essas criaturas, que pagam um preço muito alto por serem diferentes, por existirem.

As críticas que já ouvi, sempre giram em torno de uma condescendência babaca, “devemos respeitar o tempo de cada um”, “devemos ser doces e não ser ‘agressivos'” Nessa hora todo mundo acha que entende de publicidade, educação, divulgação. Só que não.

Esse tipo de material transforma pessoas a cada dia, e foi produzido por ativistas que, abdicaram do conforto de nada ver, de fechar os olhos, para enfrentar ao vivo o que hoje você assiste como algo distante ou até inexistente na cabeça de alguns. Mas essas cenas existiram, e houve alguém por trás da câmera vendo tudo.

Agora, o que considero mais importante, dentro da causa animal é que encontrei as pessoas que mais falam contra tais documentários e filmagens. Essas pessoas adoram dizer para todos com ar de superioridade ou de entendimento que tal filme é “muito forte”, “terrível”, e quando há postagens sobre, nunca faltam avisos mais como se quem assistisse fosse perder a identidade, morrer, no final.

Só que esse tipo de publicidade negativa apenas afasta as pessoas, o público que queremos que entre em contato com a origem do que enfia na boca. Sim, essa carne que está no prato é um ser que estava vivo e sofreu para morrer e você vai sim elaborar isso, saber disso, pois é culpado por esse assassinato. Comer cadáveres e se alimentar de seus restos (ovo, leite, peles) é errado pois esse corpo é de um ser que não lhe pertence em hipótese alguma.

Eu passei esse documentários para praticamente todas as turmas que fui professora, entre meus alunos haviam adultos, adolescentes e até crianças (filhos de alunos que porventura estavam juntos) e todos apreciaram o filme. Ele tem cenas fortes, tem. Mas podemos enfrentar com serenidade tais cenas, de alguma forma somos responsáveis por elas existirem.

E se você se considera um grande ativista, vegano a tantos séculos e acha que não precisa ver documentários desse porte, lamento lhe dizer: talvez precise sim.

Um dos motivos básicos para vê-los é para fortalecer o nosso princípio, o veganismo, para lembrar sempre do porquê somos veganos.

Conheço algumas pessoas que deixaram de ser veganas por ter enfraquecido suas bases filosóficas, e creio que ao ver Terráqueos, Não Matarás, ou outros mais recentes e até melhores, qualquer ser com um mínimo de conduta ética reforçará sua decisão e não terá recaídas. Também há aqueles “veganos” que ao longo dos anos começam a relativizar o uso de animais, o que considero mais abjeto. Conheço alguns com esse discurso.

É meu amigo, o especismo está entranhado até os ossos dessa espécie.

Cada vez que assisti novamente o Terráqueos, pois passava para minhas turmas de alunos, eu lembrava do porquê sou vegana a mais de dez anos e isso me faz melhor, com mais capacidade de argumentar contra a ignorância.

Ver documentários também é uma forma de obter informações, visto que pouca gente é adepta da leitura aqui no país. Os filmes tem boas fontes e os ativistas podem se instrumentalizar com os vídeos, além das leituras.

O veganismo é uma decisão ética e o motivo de sermos veganos deve ser sempre os animais. É um outro, distante ou não de nossa realidade, que se beneficiará com isso, esta é uma causa que não nos traz benefícios diretos, uma causa que pertence aos animais.
fonte: Desobediência Vegana-Ellen Augusta Valer de Freitas

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