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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Feliz Natal...

Hoje senti a brutal fagulha do medo.
Sempre me senti atordoado com barulhos e multidões...com a falta de ar em lugares apertados e sombrios.
Afastado de meus familiares e amigos... seguindo na escuridão.
Implorei e orei para qualquer Deus que me ouvisse, mas eu gritava e não me compreendiam. Não falávamos a mesma língua.
Os movimentos me levaram agoniado em meio a escuridão das multidões.
Sentia o frio, o vento e o calor em infinitas estradas tortuosas.
Me perguntava com frequência como fugir...mas não havia espaço suficiente nem ao menos para respirar.
Me sentia trêmulo, enjoado, assustado, exausto e com dor...
Sonhava com momentos que já não sabia definir como sonho ou realidade, com ar puro e liberdade...
Era a única forma de abafar minha dor...com sonhos...inaudiveis para meus algozes.
Seguia para as câmaras, alguns em agonia e choro...outros no silêncio que só a humilhação e a resiliência impõe à dor.
Morri sem nenhuma dignidade, não suplicaram por minha vida e nem reclamaram meu corpo...ele foi apenas um entre milhões...descartado e negligenciado...condenado por pertencer a outra raça e outra espécie.
Só fui mais um sentenciado à prisão e morte sem cometer nenhum crime, além do crime de existir em um planeta antropocêntrico, que na realidade coloca seu paladar acima de qualquer humanidade.
Se o amor de Cristo se comemora no Natal? Não sei. Sei que crucificam nossos corpos em sua homenagem, que justificam nossas mortes com sua "fé". E rezam por paz e fraternidade com nossa dor invisível aos seus olhos.
Soldados da morte vestem branco...nossos corpos sob suas mesas...nosso sangue sob suas mãos...
Não haverá sequer um dia de paz e felicidade cobertos de dor e crueldade. E como aqueles que usam um nome para justificar o sadismo eu reitero "Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem" ... Estão cegos demais para o bom senso, insensíveis demais para a compaixão, mortos demais para amar...

fonte: Beatriz Soares Silva

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